TURNING RED E O SAGRADO FEMININO

A nova animação da Pixar tá de fazer chorar, viu?!
O filme é sobre uma adolescente chamada Mei Mei que acaba de completar os seus 13 anos e, como todo adolescente sente uma enorme necessidade de liberdade, privacidade e autonomia, necessidades essas que entram em conflito com as expectativas e desejos de sua mãe, uma mulher super protetora que tem dificuldade de enxergar o que falta à filha. Mei Mei está saindo da infância e, como toda a criança, deseja ainda agradar a mãe (quem aí é adulto e ainda está como ela?), mas percebe que para isso acontecer teria de abrir mão dos seus próprios desejos.

Em uma manhã ela acorda como um Urso Panda Vermelho, símbolo do templo mantido pelos pais e que representa a sua ancestralidade feminina, em uma interpretação mais subjetiva, essa fera vem juntamente à primeira TPM  de Mei Mei e se manifesta quando ela passa por fortes emoções. Esse panda se deu por uma “maldição”, que eu prefiro chamar de bênção, onde a sua ancestral Sun Yee invocou o panda para poder ter força e proteger os seus filhos e, a partir daí, todas as mulheres de sua família teriam de lidar com essa fera. Após o aparecimento da mesma, elas faziam um ritual na Lua Vermelha( lua vermelha, no sagrado feminino é a menstruação, por isso associei a chegada do Panda à TPM), onde ela prenderiam o panda em algum objeto e elas estariam livres dele.

Não vou contar todo o filme aqui, até porque esse não é objetivo, mas a partir dessa pequena introdução que já traz muitas considerações minhas, começo uma análise pessoal. Deixando bem claro que não pesquisei nada para tal, apenas fiz associações com base no que já estudei e experimentei ao longo da vida.
Primeiro ponto muito interessante do filme é exatamente a cobrança para que Mei Mei esconda a fera e não tenha grandes emoções, pois isso nos leva à reflexão sobre o quanto somos cobradas logo de início a não mostrarmos a nossa feminilidade e nem a nossa potência cíclica. Dessa forma, a fera, a tpm, a força que já havia salvado vidas, foi se tornando um problema, um peso, uma maldição inconveniente. O que de fato aconteceu. A menstruação já representou poder e força. Nossas ancestrais já souberam usar a ciclicidade delas para a sobrevivência, mas isso nos foi tirado pouco a pouco quando o patriarcalismo foi se impondo cada vez mais.  

Mei Mei representa o resgate dessa ancestralidade poderosa. Ela se assusta com a fera e as sensações geradas por ela, mas quando ela a expõe às amigas, acaba sendo muito bem acolhida e até mesmo admirada, respeitada por sua força, autenticidade e beleza. Então resolve usá-la para atingir um de seus abjetivos: ir ao show da sua boy band favorita junto às amigas. Ou seja, Mei Mei utiliza a sua força cíclica para realizar um sonho, para manifestar o que quer em sua vida, assim como Sun Yee e assim como um dia nossas ancestrais fizeram também. Ela consegue juntar o dinheiro, mas sua cerimônia de prisão da fera seria no dia do show e, por isso e outras complicações que se dão ao longo do filme, os planos vão por água abaixo. No dia da cerimônia a nossa protagonista se recusa a se livrar do seu Panda e encara a sua controladora mãe ( e avós e tias) e decide ir com seu Panda ao show. Isso faz despertar e liberar o enorme panda vermelho de sua mãe, que tenta destruir o show, mas no final das contas, o que ocorre é um lindo resgate, onde todas as mulheres da família liberam os seus pandas para ajudar o Panda vermelho da mãe de Mei Mei que se acidenta em uma cena de ação. E por que essa cena é linda? Porque mostra a força das mulheres juntas, porque mostra a cura e o resgate ancestral que Mei Mei realiza.

Em uma observação final, o que acho mais lindo dessa protagonista e o que ficou de lição pra mim foi que ela nunca quis e não desonrou sua mãe, avós e tias, mas se permitiu fazer diferente e, não só isso, curou, através da sua libertação, a relação da mãe com a avó. As convidou a olhar e lidar novamente para as suas feras. Acho que é um filme que serve de convite para que a gente olhe para o não-dito, o desconhecido e o que é silenciado em nós, mas que pode ser um material de conexão e potência. É um filme que fala sobre o nosso legado e o legado nossas filhas, sobrinhas e netas. Eu já estou aqui comprometida a liberar as minhas feras, na medida do possível. E vocês?

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